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domingo, 30 de agosto de 2009

Bilhete

Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres, enfim,
tem de ser bem devagarinho, Amada,
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda...

(Mario Quintana. In: Esconderijos do tempo)

terça-feira, 11 de agosto de 2009

61: Verdade Interior

O vento sopra sobre o lago e agita as águas. Barcos de papel navegam pelas sarjetas. Você está parado na janela, atrás da vidraça. Você olha para fora. Não há nada diferente ou incomum lá fora. São os mesmos edifícios, do outro lado e mais além da rua. As mesmas árvores, poucas. Algumas vidas existindo tão discretamente quanto a sua, por trás de outras vidraças nos edifícios do outro lado e além da rua. Assim olhando, de repente você se percebe tão quieto que tem vontade de fazer alguma coisa. Qualquer coisa dessas cotidianas, anônimas, acender um cigarro, ligar o rádio, quem sabe abrir a vidraça atrás da qual você está parado. Mas não faz nada. Você prefere não fazer nada. Permanece assim: parado, calado, quieto, sozinho. Na janela, olhando para fora.
Então, o céu escurece. Não há pausa nem gradação. Súbito, o céu escurece. Começa a acontecer um vento, e você pensa: “O vento sopra sobre a superfície de um lago”. Embora não exista lago algum, só cimento, paralelepípedos. Chinês você se concentra. Repete mais claramente agora. “O vento sopra sobre o lago e agita a superfície das águas.” Você suspira. Sem dor nem inquietação. O suspiro é um sopro de ar que sai do fundo de pulmões certamente escurecidos pelos muitos cigarros e a poluição urbana, como cavernas negras. Esse ar morno vindo do fundo das cavernas embaça a vidraça atrás da qual você está parado.
Com a ponta do dedo indicador, então, sobre a vidraça embaçada, você risca um traço, aparentemente à toa. Como na infância, nos dias de tempestade. Depois você desenha outro, e outro. Não são muitos traços, assim limpos, verticais, horizontais. Duas formas, lado alado, ideogramas — Chung Fu.Você contempla o que acabou de desenhar no baço. Outra vez chinês, repete: “O vento agita a água porque é capaz de penetrá-la”. E pouco importa que ninguém — de certa forma, nem mesmo você, que está inventando — entenda isso que se passa agora, amanhã ou ontem.
Então começa a chover. Gotas pesadas, esparsas. Depois elas se aglomeram, mais finas. E chove, de repente, atrás da vidraça onde você está. Parado, atento. As águas se avolumam no alto da ladeira, despencam pela rua abaixo, em frente à sua janela. Espessas, amareladas. Levam pela frente papéis amassados, poeira, pontas de cigarro, latas de coca-cola. Todos esses restos que se amontoam pelas ruas da cidade, as águas levam. Ninguém sabe para onde. Bueiros, esgotos. Quem sabe para o mar?
É quando você pensa no mar que tem, ao mesmo tempo, vontade de descer pelo elevador até a sarjeta para soltar um barquinho de papel nessas águas. Meio tolo, você se pergunta assim:
“Para onde vão os barquinhos de papel soltos na enxurrada?” Mais tolo ainda, mas justificável, porque meio criança dessa vez, você lembra do soldadinho de chumbo de Andersen, com sua espingarda em riste dentro de um barquinho de papel. Com sorte, você deseja, o barquinho chegará à outra esquina. Com mais sorte ainda, cairá em algum ralo, depois num esgoto, depois ainda, sempre inteiro, será levado até algum rio. Até o mar, quem sabe? Você imagina um barquinho de papel capaz de atravessar incólume todas as torrentes e perigos para chegar ao mar. Pouco provável. Eram tão frágeis aqueles barquinhos que as crianças antigamente soltavam nas águas sujas das sarjetas.
Frágil — você tem tanta vontade de chorar, tanta vontade de ir embora. Para que o protejam, para que sintam falta. Tanta vontade de viajar para bem longe, romper todos os laços, sem deixar endereço. Um dia mandará um cartão-postal, de algum lugar improvável. Bali, Madagascar, Sumatra. Escreverá: penso em você. Deve ser bonito, mesmo melancólico, alguém que se foi pensar em você num lugar improvável como esse.Você se comove com o que não acontece, você sente frio e medo. Parado atrás da vidraça, olhando a chuva que, aos poucos, começa a passar.
Outra vez chinês, você se afasta um pouco para ver melhor o ideograma. “Verdade interior” — você repete. E acrescenta:
“Tenho uma boa taça. Quero compartilhá-la com você”. Estende as mãos para a frente, como se fosse tocar o rosto de alguém. Mas você está sozinho, e isso não chega a doer, nem é triste. Então você abre a janela para o ar muito limpo, depois da chuva. Você respira fundo. Quase sorri, o ar tão leve: blue.

O Estado de S. Paulo, junho 1987.

(Caio Fernando Abreu. In: Pequenas Epifanias)

domingo, 2 de agosto de 2009

Eles ainda resistem!

Eu estava no colégio, em pleno mês de Julho, num dia de sábado saindo para o intervalo e de repente o inspetor chamou meu nome e pediu para que eu o seguisse até a secretaria. Logo eu pensei "alguém morreu!", felizmente eu estava errada.
Quando lá cheguei, a surpresa: Um buquet de rosas vermelhas, com pedido de desculpas pelo atraso da data do aniversário e pela simplicidade do presente, e para melhorar, o remetente era um ADMIRADOR SECRETO! Dá para acreditar que essas coisas ainda existem? No cartão feito por contra própria, lirismo puro acompanhado de algum bom chocolate e no final a assinatura: L. "L.? Quem é L.?" Sinceramente não faço a menor ideia.
As flores estão na sala, morrendo coitadas. Nunca entendi porque flores (mortas) são sinal de romantismo. Mas se você é meu admirador, muito obrigada!
(Danielle Urquiza)

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Um parnaso romântico!

Noite de Inverno

Sonho que estás à porta...
Estás - abro-te os braços! - quase morta,
Quase morta de amor e de ansiedade.
De onde ouviste o meu grito, que voava,
E sobre as asas trêmulas levava
As preces da saudade?


Corro à porta... ninguém! Silêncio e treva.
Hirta, na sombra, a Solidão eleva
Os longos braços rígidos, de gelo...
E há pelo corredor ermo e comprido
O suave rumor de teu vestido,
E o perfume subtil de teu cabelo.


Ah! se agora chegasses!
Se eu sentisse bater em minhas faces
A luz celeste que teus olhos banha;
Se este quarto se enchesse de repente
Da melodia, e do dano ardente
Que os passos te acompanha:


Beijos, presos no cárcere da boca,
Sofreando a custo toda a sede louca,
Toda a sede infinita que os devora,
- Beijos de fogo, palpitando, cheios
De gritos, de gemidos e de anseios,
Transbordariam por teu corpo afora...


Rio aceso, banhando
Teu corpo, cada beijo, rutilando,
Se apressaria, acachoado e grosso:
E, cascateando, em pérolas desfeito,
Subiria a colina de teu peito,
Lambendo-te o pescoço...


Estrela humana que do céu desceste!
Desterrada do céu, a luz perdeste
Dos fulvos raios, amplos e serenos;
E na pele morena e perfumada
Guardaste apenas essa cor dourada
Que é a mesma cor de Sírius e de Vênus.


Sob a chuva de fogo
De meus beijos, amor! terias logo
Todo o esplendor do brilho primitivo;
E, eternamente presa entre meus braços,
Bela, protegerias os meus passos,
- Astro formoso e vivo!


Mas... talvez te ofendesse o meu desejo.
E, ao teu contacto gélido, meu beijo
Fosse cair por terra, desprezado.
Embora! que eu ao menos te olharia,
E, presa do respeito, ficaria
Silencioso e imóvel a teu lado.


Fitando o olhar ansioso
No teu, lendo esse livro misterioso,
Eu descortinaria a minha sorte...
Até que ouvisse, desse olhar ao fundo,
Soar, num dobre lúgubre e profundo,
A hora da minha morte!


Longe embora de mim teu pensamento,
Ouvirias aqui, louco e violento,
Bater meu coração em cada canto;
E ouvirias, como uma melopéia,
Longe embora de mim a tua idéia,
A música abafada de meu pranto.


Dormirias, querida...
E eu, guardando-te, bela e adormecida,
Orgulhoso e feliz com o meu tesouro,
Tiraria os meus versos do abandono,
E eles embalariam o teu sono,
Como uma rede de ouro.


Mas não vens! não virás! Silêncio e treva.
Hirta, na sombra, a Solidão eleva
Os longos braços rígidos de gelo;
E há, pelo corredor ermo e comprido,
O suave rumor de teu vestido
E o perfume subtil de teu cabelo...

(Olavo Bilac)

terça-feira, 7 de julho de 2009

world in mourning

Sometimes I become really impressed how some persons can change the minds, the opinions, in fact, how some people can really change and stop the world.

I just watched the Michael Jackson's memorial, and I'm impressed how the planet have been stopped to see what happened with him, or I think, what is happennig with him. Some creatures ( I don't think people like him are just humans) have a power that is unbeliveable, uncomprehensible, and they deserve all and more that the world has to offer. In fact, I'm not a fan, I'm young, it's true too, but he managed to get all the respect and and admiration that somebody can get.

People like to say bad things, people like to remember bad things, when thay should be saying good ones. Let's start to forget thoughts like those, because he is worth of all sucess that he got, and all the tears that he is getting.

sábado, 4 de julho de 2009

where is, what is...?

Às vezes as pessoas irritam, as pessoas que menos deveriam irritar, irritam. Stress cotidiano? Ou falta de algo que não se sabe o que é? Dores de cabeças constante aflingem... "É psicológico..." Talvez. Mas em que sentido? É inventado? É ocasionado? Provocado, provavelmente.

Há momentos em que a coragem e a determinação alheia, junto a medos pessoais doem, desmotivam e fazem com que barreiras, múltiplas barreiras, criem-se do nada. E quando se pensa que as mesmas foram transpostas, surgem novas, cada vez mais fortes e mais altas. É como se elas ganhassem vida e força. Para transpô-las necessita-se de outra força, aquela que não se sabe de onde tirar, de onde buscar, de onde roubar, que parece ser inalcançável, mas ao mesmo tempo angustia pela sua falta. Essa entristece porque precisa ser conseguida, dominada. Alguns a chamam de "determinação", "perseverança", mas a fonte dela, é bem verdade, ainda não tem nome.

(
Danielle Urquiza)